terça-feira, 31 de outubro de 2017

A boca fechada

Há coisas que me escapam, confesso. Por exemplo, deixar a língua à solta quando se faz política. Numa democracia, por incipiente que seja, qualquer coisa que seja dita é escrutinada até mais não poder. Rui Rio podia muito bem dizer que com ele as contas do Estado seriam rigorosas. Isso é uma coisa, outra é dizer que faria tal como Maria Luís Albuquerque ou pior. Percebe-se que Rio precise de mostrar-se diferente de Santana Lopes, o qual, segundo palavras do próprio, não vive com a obsessão do défice  (claro que não, todos sabemos que não). No entanto, não é necessário, mesmo para dentro do seu partido, fazer juras de amor por uma política que conduziu à saída do poder. Esta sobranceria não leva a lado nenhum. Não passa de uma bravata inútil e pateta. Para um político, qualquer coisa que possa pôr em causa o seu caminho para o poder é uma irracionalidade. Há pessoas – por norma vão para a política – que ganhariam muito se nunca abrissem a boca. Como seriam convincentes.

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