sábado, 28 de outubro de 2017

Obsessões

Na candidatura de Santana Lopes à liderança do PSD há qualquer coisa de estranho. Um sentimento de desadequação ou de intempestividade. Isto não tem nada de pessoal ou, sequer, de ideológico. Simpatizo com a personagem, parece-me um bom tipo, embora não vote na sua área política. Olha-se para ele e percebe-se que pertence a um tempo que já passou. Veja-se, por exemplo, a afirmação “não sou candidato por obsessão por défice zero”. Agora que a esquerda, de forma assumida ou encapotada, se interessa vivamente pela redução do défice e por ter as contas do Estado em ordem, é estranho ouvir um candidato a líder do PSD dizer que não tem obsessão pelo défice. O problema não é da obsessão. Ninguém tem obsessão por défice zero, nem mesmo Passos Coelho teria. O problema é que, se a situação internacional descambar, talvez seja melhor ter as contas em ordem do que não as ter. Na verdade, Santana Lopes faz parte de uma geração de políticos em que o dinheiro do Estado compra a eleição. Não é só ele e não é só no PSD, claro. No PS, são multidão. Ora, esse tempo acabou. O melhor, mesmo sem obsessões, é compreender que o Estado deve ser frugal. Frugal não quer dizer mínimo. Quer dizer que deve gerir os dinheiros públicos com respeito e parcimónia, sem descurar as suas funções políticas e sociais.

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