A estratégia política desenhada, há muito, por Macron teve agora o seu epílogo. Apostou em destruir a esquerda e a direita democráticas, substituir o centro tradicional por um centro de matiz liberal. As eleições de ontem mostraram o resultado. O centro esquerda está coligado, mas em minoria, com forças de esquerda mais radicais, algumas a roçar o populismo. A extrema-direita, apesar da derrota, cresceu e é uma força política consolidada. Os liberais de Macron resistiram, mas não têm condições para formar governo, pois também foram derrotados. A solução política está longe de ser fácil e a França está à beira da ingovernabilidade, a não ser que, num passe de mágica, as forças do macronismo e as de esquerda encontrem a sensatez e a prudência suficientes para encontrar um caminho que possa evitar a deriva dos franceses para a extrema-direita. Talvez seja esperar demasiado da humanidade. A União Europeia pode respirar de alívio com a vitória da esquerda, mas veremos se a derrota da extrema-direita foi conjuntural ou estrutural.
segunda-feira, 8 de julho de 2024
terça-feira, 27 de fevereiro de 2024
As declarações de Macron
As declarações do Presidente francês, Emmanuel Macron (aqui), são mais um sinal de que a situação política na Europa é de profunda instabilidade. Ao admitir como possibilidade efectiva o envio de tropas europeias para combater na Ucrânia, Macron está a assumir, de forma nítida, que o problema da Ucrânia não diz respeito apenas aos ucranianos, mas é um problema da segurança europeia. A posição do Presidente francês significa que existe nos parceiros europeus, ou em parte substancial deles, a convicção de que a guerra na Ucrânia é apenas o primeiro passo para uma tentativa de destruição da União Europeia e de dominação da Europa. As múltiplas declarações de altas patentes militares, de diversos países europeus, bem como informações provenientes de diversos serviços secretos parecem confirmá-lo. A ideia de uma paz perpétua na Europa, depois do trauma de duas guerras mundiais no século passado, está a esboroar-se a cada dia que passa.