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domingo, 14 de abril de 2024

O abismo na ordem internacional

O ataque do Irão a Israel veio lançar mais confusão na situação internacional do que aquela que já havia. O alargamento do conflito no Médio-Oriente e a guerra na Ucrânia tornam a situação muito preocupante. A situação geopolítica está à beira do abismo e parece não faltar gente decidida a dar uma ajuda eficaz para que ela caia nesse abismo, que será sempre um abismo de violência, destruição e morte, onde existe um forte possibilidade de uma visão liberal da ordem internacional e as próprias democracias liberais sucumbirem por longo tempo.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

O BE e a política externa

Entre várias outras medidas de política externa, o Bloco de Esquerda propõem, no seu programa eleitoral, a saída de Portugal da NATO e a defesa do desarmamento negociado e multilateral. O que o BE não explica é como Portugal, fora da NATO, se poderia defender caso fosse atacado e isso é uma possibilidade real nos dias de hoje. Certamente, os dirigentes bloquistas diriam que defendem um desarmamento negociado e multilateral. Esta seria a resposta, tendo em conta o que se escreve no programa eleitoral, mas isso, na verdade, não responde ao problema da defesa do país em caso de necessidade. 

Ora, por muito que Portugal pudesse defender semelhante posição, isso em nada alteraria a realidade geopolítica, apenas enfraqueceria Portugal. Não depende de Portugal a existência de potências inimigas que não se querem desarmar, antes pelo contrário. Não depende de Portugal nem da União Europeia, o facto de haver uma ameaça muito séria à segurança dos povos europeus. Defender o desarmamento negociado multilateral é defender rigorosamente nada, um exercício retórico que cobre uma posição absolutamente irrealista, fundado num dogmatismo ideológico que torna o BE incapaz de analisar a realidade geopolítica. Na prática, seria uma capitulação do país.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Um grande silêncio

As declarações de Trump sobre a NATO trouxeram à luz o quão irrisório é o debate político nacional em vésperas de eleições. A questão política central, da qual todas as outras dependem, é a escaldante situação internacional. Ninguém quer falar disso, ninguém quer falar de que nos anos da nova legislatura podemos estar metidos em grandes sarilhos, os quais não dependem de nós, mas que nos podem envolver de um momento para o outro. Ninguém quer falar de que teremos de fazer enormes esforços militares, a começar pelo orçamento, mas também na reorganização das forças armadas. Ninguém quer falar da Europa, do facto dela estar rodeada de perigos por todos os lados e minada por dentro. Discute-se a situação do país como se ele fosse uma ilha rodeada por um oceano impossível de navegar. A direita vive fixada nos impostos, como se isso fosse uma terapia para os males que nos atormentam. A esquerda vive em retracção, tentando gerir as perdas. A extrema-direita promete tudo a todos e o seu contrário, na ânsia de criar condições para liquidar a democracia liberal. Ninguém, todavia, está disponível para dizer a verdade daquilo que está à porta. Sobre a realidade internacional, apenas um grande silêncio.