Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Rio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Rio. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de março de 2018

Tiro ao boneco

Os portugueses têm um problema com as habilitações académicas e as doutorolices. O problema, porém, não está apenas do lado daqueles que acham por bem adoptar um currículo hiperbólico, talvez Freud explique o seu desejo inflacionário. Está também no entusiasmo esfuziante com que estes casos são tratados na esfera pública pela brigada da pureza académica. Em vez de estarmos a discutir, como se disso dependesse o destino não apenas da terra mas de todo o universo, se Barreiras Duarte foi visiting scholar em Berkeley ou não, seria mais recomendável que se estivesse a discutir as ideias de Rui Rio para o país, a não ser que Rio não tenha nenhuma e mais valha passar o tempo a fazer tiro ao boneco.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Rui Rio e a esquerda

Se a esquerda pensar que Rui Rio é mais do mesmo ou potencialmente inócuo, então equivoca-se gravemente. Não é o programa económico que ele vier a apresentar que fará diferença. Na verdade, a política económica, mais euro menos euro, vem da União Europeia. O que o pode diferenciar é a sua resistência aos poderes de facto, como aconteceu no Porto, e um certo ar de pessoa austera e rigorosa que os portugueses, apesar de não gostarem de praticar tais virtudes, apreciam muito nos dirigentes políticos. Se a esquerda continuar a enrolar-se em coisas como a lei do financiamento dos partidos e em práticas pouco austeras de gastos públicos pelos governantes e nepotismo (coisas tão ao gosto do PS), não se venha depois queixar da infidelidade do eleitorado. A relação com o dinheiro e os cargos públicos vai ser a porta por onde Rui Rio vai tentar entrar no poder.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A tradição de direita

Diz o doutor Rio: "O PSD não é um partido de direita nem é a direita, é um partido social-democrata e a social-democracia é ao centro, não é à direita nem à esquerda." Em primeiro lugar, Rui Rio está equivocado. A social-democracia sempre foi de esquerda. Que o antigo PPD se tenha dado o nome do PSD, isso não passou de um mero expediente. A social-democracia está ligada ao movimento operário e evoluiu de movimento revolucionário para movimento reformista, sem deixar de ter essa relação com o mundo do trabalho e dos sindicatos. Em segundo lugar, o centro pode ser conquistado sem necessidade de recorrer à tradição social-democrata. Em muitos países uma combinação de pensamento democrata-cristão e de pensamento liberal - por vezes, mesclado com pensamento conservador - tem tido capacidade de mobilizar o centro e fornecer alternativas de governo sólidas, muitas vezes mais atraentes para o eleitorado do que as alternativas social-democratas. Já era tempo em Portugal de nos deixarmos deste tipo de fogos de artifício. Portugal já tem demasiados partidos social-democratas (do PS ao PCP, passando pelo BE, todos têm programas de governação social-democratas). Não seria mau para a democracia que a direita tivesse alguma solidez ideológica. A cada um a sua tradição. E se a tradição da direita tem de ser inventada, ao menos que a invente fora do território da esquerda.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A boca fechada

Há coisas que me escapam, confesso. Por exemplo, deixar a língua à solta quando se faz política. Numa democracia, por incipiente que seja, qualquer coisa que seja dita é escrutinada até mais não poder. Rui Rio podia muito bem dizer que com ele as contas do Estado seriam rigorosas. Isso é uma coisa, outra é dizer que faria tal como Maria Luís Albuquerque ou pior. Percebe-se que Rio precise de mostrar-se diferente de Santana Lopes, o qual, segundo palavras do próprio, não vive com a obsessão do défice  (claro que não, todos sabemos que não). No entanto, não é necessário, mesmo para dentro do seu partido, fazer juras de amor por uma política que conduziu à saída do poder. Esta sobranceria não leva a lado nenhum. Não passa de uma bravata inútil e pateta. Para um político, qualquer coisa que possa pôr em causa o seu caminho para o poder é uma irracionalidade. Há pessoas – por norma vão para a política – que ganhariam muito se nunca abrissem a boca. Como seriam convincentes.