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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Presidenciais, mais 10 anos?

Duas notícias do Público trazem de volta os cenários para as próximas eleições presidenciais. Numa, Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, avança com o nome de Leonor Beleza como candidata na área do centro-direita (aqui), tornando ainda patente que o PSD tem um bom stock de presidenciáveis, Marques Mendes, Passos Coelho e Durão Barroso. Na outra, refere-se que há, na esquerda, uma vontade de encontrar um candidato comum, mas que BE e Livre não vêem com bom olhos a candidatura de Mário Centeno (aqui). Outros nomes apontados na área socialista, como António Vitorino ou Santos Silva, são também problemáticos e pouco atraentes para o eleitorado. A direita detém a presidência da República há 20 anos e, com a ausência dos candidatos naturais da esquerda, António Guterres e António Costa, prepara-se para mais dez anos de presidência.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

A sombra de Gouveia e Melo

Segundo uma sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã (aqui) só Gouveia e Melo faria alguma sombra a uma eventual candidatura presidencial de António Guterres. Seria, na direita, o candidato melhor colocado. Como não é plausível que António Guterres se candidate, parece haver um largo horizonte para uma candidatura vitoriosa de Gouveia e Melo. Ora, se isso acontecer, estamos perante uma imagem sombria da nossa vida política. Por um lado, porque os militares, numa democracia saudável, devem permanecer afastados da política. Isto seria um retrocesso que nos levaria ao tempo das duas primeiras eleições presidenciais, pós 25 de Abril, nas quais eram militares as principais figuras na disputa pela presidência. Em segundo lugar, sublinharia, mais um vez, a dificuldade dos portugueses em aceitar uma visão civilista do poder político. Gouveia e Melo não deu qualquer prova de competência política - e não tinha que dar, pois não é político - e aquilo que o tornou uma personagem pública, organizar a distribuição das vacinas no tempo da pandemia, não nos diz nada sobre a sua competência política. Por fim, a sua candidatura seria um projecto político meramente pessoal, a que, eventualmente, os partidos políticos da direita se teriam de submeter. Ora, conhece-se muito pouco ou nada do pensamento político de Gouveia e Melo. O que poderá um homem de acção, como deve ser todo o militar, querer de um cargo político que tem poucos poderes que permitam agir?

quarta-feira, 10 de julho de 2024

O PS e as presidenciais

Segundo uma notícia de hoje, Mário Centeno e António Vitorino são as figuras políticas com maior probabilidade de serem apoiadas, nas próximas eleições presidenciais, pelo Partido Socialista. São, por certo, pessoas estimáveis, mas estão longe de serem personalidades ganhadoras. É verdade que os candidatos naturais e ganhadores do PS estão ocupados com os seus compromissos internacionais. Tanto António Costa como António Guterres teriam sérias possibilidades de virem a ser eleitos. A sua indisponibilidade terá por consequência a entrega da Presidência da República à direita, o mais certo por dez anos. Ora, como se tem visto, não é inócuo ter um Presidente da República de direita ou de esquerda. O PR não é um árbitro do sistema político. Pela nossa constituição, é um jogador e um jogador, em certas circunstâncias, com muita influência no jogo. Talvez a esquerda fizesse bem em pensar seriamente a questão das presidenciais.