Há alguns sinais interessantes sobre uma possível vitória de Kamala Harris nas próximas eleições presidenciais. O mais interessante é o próprio discurso de Trump. Ao acusar Kamala Harris de comunista ou, agora, de afirmar que com ela na presidência teremos, quase certo, uma terceira guerra mundial, Trump parece desesperado. É evidente que para uma parte dos eleitores republicanos o que Trump diz da democrata é a pura verdade, mas esses são os eleitores indefectíveis, os quais votariam em Trump mesmo que este se transformasse numa galinha, e não aqueles que decidem as eleições. Veremos se Kamala Harris e Tim Walz continuam a ter o talento suficiente para provocar em Trump um discursos inverosímil de tão catastrofista que é.
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
domingo, 28 de julho de 2024
Trump diz ao que vem
Se os norte-americanos elegerem Trump e este acabar com a democracia, ninguém pode dizer que o candidato não deu sinais suficientes daquilo que pretendia fazer. Ora, o apoio que tem não mostra apenas o apoio a um candidato à Presidência, mostra que parte substancial do eleitorado dispensa a democracia, o trabalho de ir votar e de ser governada pela lei. A democracia parece ter cansado as pessoas e, pior, traz sempre a hipótese de o governante eleito pensar de um modo diferente. Para essa parte do eleitorado americano um despotismo fundado na arbitrariedade de um chefe é mais atraente do que o jogo regulado pela lei e com um módico de racionalidade. Trump, esse não esconde o que quer e ao que vem.
segunda-feira, 22 de julho de 2024
Trump e os deuses
Donald Trump, ao saber da desistência de Joe Biden, afirmou que Kamala Harris será mais fácil de derrotar (aqui). É aqui que se abre um pequena janela de esperança para as democracias. Até agora protegido pelos deuses, talvez a húbris, cuja manifestação nunca descura, irrite esses mesmos deuses, e estes decidam punir a sua desmedida. Há em Trump, na sua entourage e no trumpista comum a profunda convicção de que a eleição está ganha. Veremos se os deuses estarão pelos ajustes e continuarão a proteger o narcisismo de quem está apostado em tornar o mundo numa grande confusão.
segunda-feira, 15 de julho de 2024
O atentado e a política de acesso livre a armas
Especula-se bastante sobre as consequências eleitorais do atentado contra Donald Trump. Essas consequências são previsíveis, a vitória do candidato republicano, a não ser que exista um milagre. Especula-se menos no atentado como a consequência de uma política, uma política muito específica. Trata-se do fácil e livre acesso às armas. Se os EUA tivessem uma política de restrição do acesso a armas sofisticadas, como acontece nos países europeus, continuaria a ser possível que o atentado tivesse ocorrido, mas a probabilidade dessa ocorrência seria muito menor. Pensar, porém, que aquilo que aconteceu a Trump o leve, em caso de ser eleito, a reconsiderar a permissão do livre acesso a armas, algum ganho haveria. Contudo, isso seria esperar outro milagre.
domingo, 14 de julho de 2024
Tiros contra a democracia
Uma tentativa de homicídio contra Donald Trump era o que o mundo democrático menos precisava. É irrelevante que aquele que fez os disparos contra o candidato republicano estivesse inscrito como republicano, que as razões pertençam ao foro interno dos republicanos. O facto importante é que Trump vai beneficiar, perante o eleitorado, do estatuto de vítima e isso será mais um trunfo na sua corrida presidencial. Em democracia, a violência contra aqueles que a querem pôr em causa nunca funciona a favor dos que defendem a democracia. A democracia liberal fundamenta-se na interdição de qualquer tipo de violência política para resolução de problemas políticos.
quinta-feira, 27 de junho de 2024
Senis e não seniores
Há um sintoma que parece confirmar que os EUA são uma potência em decadência. Não se trata da economia, nem das questões militares ou de relações internacionais. Uma grande potência que tem como únicos candidatos elegíveis para a sua Presidência Joe Biden e Donald Trump só pode estar muito doente. Uma coisa é ter candidatos seniores outra é apresentar candidatos a roçar a senilidade. Uma sociedade que se revê nessas candidaturas deixou de pensar no futuro.
domingo, 17 de março de 2024
O banho de sangue
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024
O desprezo pelo mundo livre
Num interessante artigo (aqui), Henrique Burnay refere que Donald Trump é um suicida da América e, acrescenta, que ele não quer ser o líder do mundo livre, tal como se apresentaram muitos dos presidentes americanos. O autor da dois exemplos caros aos Republicanos, Ronald Reagan e George Bush (pai). Ora, a verdade é que Donald Trump não sente nenhum respeito nem interesse pelo mundo livre, pelo mundo que resistiu aos totalitarismos fascista, nazi e comunista e que manteve viva a bandeira da liberdade. Ele não é diferente de Putin ou de Xi Jiping, para quem o mundo livre é um incómodo e uma ameaça. A diferença reside apenas nas circunstâncias. Trump vive num país que tem uma longa tradição democrática e que tem feito da liberdade um valor central. Isso não significa, todavia, que Donald Trump, caso seja eleito, não tente aproximar o regime americano dos da Rússia e da China. A não aceitação dos resultados de há quatro anos era já um passo nesse caminho.
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
Michelle Obama
Por estes dias, os democratas norte-americanos, e todos aqueles que no mundo defendem a democracia liberal, vivem uma espécie de angústia do guarda-redes antes do penalty. A possibilidade de Trump ser eleito num confronto com Biden não é apenas verosímil, mas muito real. De súbito, começou a falar-se, no Partido Democrata, em Michelle Obama. Seria uma possibilidade interessante e teria, por certo, mais capacidade para derrotar Trump do que Biden. Resta esperar que o actual Presidente ponha à frente do seu desejo de reeleição o interesse dos americanos e de todos aqueles que temem um Trump, agora ainda mais agressivo e de mãos livres, que arrastará o mundo, em especial a Europa, para uma situação trágica. Sim, Michelle Obama poderia ter energia e inteligência suficientes para lidar com um candidato provocador como Trump.
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
A trumpização da direita portuguesa
A deslocação de deputados do PSD para o Chega é apenas um episódio de uma fuga de militantes dos partidos da direita democrática - PSD, IL e CDS - para a efervescência populista e demagógica liderada por André Ventura. Contudo, não são apenas militantes e quadros que se transferem. Também uma parte do eleitorado da direita se está a deslocar, a grande velocidade, para as hostes de Ventura. Este fenómeno, contudo, não é inédito. Trata-se de uma trumpização da direita portuguesa. Nos EUA, os dois grandes partidos são uma espécie de coligação com diversas tendências, por vezes, com mais diferenças do que pontos de convergência. O que aconteceu ao Partido Republicano foi uma de rendição do partido e do eleitorado aos sectores mais extremistas e populistas, sectores que se aproximam perigosamente de posições antidemocráticas. Antes de Trump, esses sectores abrigavam-se sob o chapéu do Tea Party. Depois, Trump deu voz a essas forças e foi conquistando o partido, liquidando o republicanismo conservador democrático e federou os militantes e o povo de direita numa frente que raia a intolerância e que ameaça as instituições democráticas. Esse fenómeno não se circunscreveu aos EUA. Estamos a assistir à sua reprodução em Portugal. Mais rapidamente do que se pensava, o Chega está a federar a direita e o povo de direita. Como não existe um grande e único partido da direita em Portugal, como acontece nos EUA com os republicanos, o Chega está a destruir o PSD e a IL, depois de ter liquidado o CDS, para preparar o confronto com a esquerda. Não se está a ver como é que a dupla Luís Montenegro e Nuno Melo, nesta reedição da AD, poderão obstar à trumpização da direita e do clima político em Portugal. O preço disto será idêntico ao que se observa nos EUA. A ideia de adversários políticos é substituída pela de inimigos políticos. A partir daí só se pode esperar o pior.