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quarta-feira, 17 de abril de 2024

Uma bravata ambiental, na Alemanha

O ministro alemão dos Transportes, um liberal, ameaçou proibir a circulação automóvel ao fim-de-semana. A causa reside no facto de a Alemanha não estar a conseguir cumprir as metas ambientais a que se comprometeu. Esta quase bravata é sintoma de um problema muito mais fundo. É o nosso estilo de vida que é problemático para o ambiente. Ora, nem os eleitores nem os eleitos estão interessados em enfrentar a situação de um modo consistente. Vamos assistir a ameaças deste género ou, então, à escolha pelos eleitores de forças políticas que neguem a responsabilidade humana - do estilo de vida da espécie humana - na degradação climática. Neste momento, pensar que os seres humanos se vão preocupar em preservar a casa comum pertence ao reino da fantasia. Preferem a negação da realidade à mudança que lhes é exigida. Os políticos ou se adaptam aos interesses dos eleitores, mesmo que perigosos para a possibilidade de haver um futuro para a espécie, ou serão trocados por outros que satisfaçam os desejos de quem vota. 

quinta-feira, 7 de março de 2024

Ambiente e eleições

A campanha eleitoral segue alegre, como é hábito das campanhas eleitorais. Enquanto isso, o Fevereiro de 2024 foi o Fevereiro com temperaturas médias, nos oceanos e em terra, mais altas desde que há registos. Deveria a campanha, por causa desses pormenores, entristecer? Não, uma campanha eleitoral é sempre uma campanha alegre, mas deveria discutir o problema ambiental. A questão está armadilhada, com a proliferação do negacionismo fomentado pelos interesses das grandes indústrias poluidoras, contudo é uma ameaça real à espécie humana, à qual pertencem os portugueses. As grandes ameaças que Portugal enfrentará nos próximos anos estão ausentes da campanha eleitoral. Talvez os candidatos evitem de falar no diabo para que ele não apareça, mas esta expectativa pouco se coadunará com uma conduta razoável sobre o que nos espera.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Eleições e ambiente

Não é apenas a questão da política externa que está francamente subvalorizada na actual campanha eleitoral. Tudo o que é incómodo é varrido para debaixo do tapete. Com dificuldade se fala da questão da justiça. Outro elefante dentro da sala que se procura esconder debaixo do tapete é o ambiente e as questões climáticas. Um artigo de Guilherme Serôdio, no Público, torna clara a dimensão do problema ambiental e como a única solução efectiva é muito difícil, ou mesmo impossível, de ser tomada. Essa solução é o decrescimento económico. Ó que significa, na realidade, decrescimento económico? Significa empobrecer, significa que todos temos de consumir menos, muito menos. Não se trata apenas, por exemplo, de passar de automóveis movidos a derivados do petróleo para automóveis movidos a electricidade. Trata-se de reduzir, talvez drasticamente, o número de automóveis em circulação. Uso aqui o exemplo do automóvel pois é aquele que mais fere as pessoas. Não ter automóvel é sentido como um ataque ao estatuto social, à liberdade e, em última análise à identidade pessoal. Não é por acaso que, para além de considerações piedosas, a questão ambiental (isto é, da sobrevivência da humanidade na Terra) é um não assunto eleitoral. Ninguém ganha votos prometendo o decrescimento económico, prometendo um país em que todos seremos mais pobres, até porque em lado nenhum isso está a acontecer. A ideia que tomou conta da espécie humana é que ela tem um direito divino a consumir cada vez mais, tem direito a empanzinar-se de bens e se a coisa correr mal, como está já a correr, tem o direito de cair no abismo, regurgitando tudo o os deuses que a movem lhe deram direito a consumir.