A pior coisa que se pode fazer é trazer a história para a política, pois o que chega nunca é a História, enquanto visão do passado fundada na investigação racional, mas a colecção de mitos que visam incendiar imaginações e atear os ânimos, uma invenção retórica para efeitos conflituais. A história no discurso político é, por norma, a anunciação do advento da barbaridade, da divisão entre amigos e inimigos e o que daí vem.
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sábado, 27 de abril de 2024
sábado, 10 de março de 2018
Do nosso lado
Sempre que alguém diz "A História está do nosso lado" não sei se hei-de chorar ou rir. Em primeiro lugar, a História é uma grande meretriz que dorme sempre com quem paga mais, isto é, com quem ganha. Assim, quem quiser casar com ela, e não lhe faltam pretendentes, prepare-se para ser enganado na primeira ocasião. Portanto, motivo para riso. Em segundo lugar, contudo, quando alguém diz que a História está do nosso lado, e não falta gente que diga que anda de braço dado com a rameira, não está a pensar em coisa boa. O senhor Bannon foi ao congresso da senhora Le Pen dizer isso mesmo (ver aqui), invocar o santo nome da galdéria História, o que me parece motivo de preocupação. Pessoas de bem não querem nada com a História. Suportam-na, mas não falam no nome dela. História é sangue, coerção, um cortejo de morte e violência. Querem ver a cara da História? Olhem para a Síria.
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