sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Argumentos esmagadores

Portugal, através de alguns esforçados militantes das redes sociais, deu um precioso contributo para a teoria da argumentação política. Dois esmagadores argumentos são agora apresentados nos debates online e com os quais qualquer tese fica de imediato demonstrada. E que extraordinários argumentos são esses que, mal pronunciados, tornam manifesto que quem os utiliza está na verdade? Quais são essas evidências que deixam a evidência cartesiana à beira de um ataque de nervos. Na verdade, não são dois, mas um formulado de dupla maneira. Eu sei que o leitor está desejoso de enriquecer o seu baú dos argumentos, os quais hão-de ajudá-lo a pôr de rastos os seus adversários políticos. Calma, a espera recompensa. Alguém diz alguma coisa – por exemplo, os tipos do governo são todos uns corruptos ou o pessoal de teu partido está a preparar-se para meter a mão no pote – e demonstra-a, de imediato, com um troante “E mais não digo!”. O adversário ajoelha, sem fôlego. Esta é a versão discursiva do argumento. Há também uma versão topológica. Depois de enunciada uma qualquer tese, por norma idêntica às anteriores, o excelso retor fulmina o adversário com o poderoso argumento: “E por aqui me fico!”. Não imagina o leitor, como o adversário fica siderado com um “E mais não digo!”. Fica em profundo silêncio hesitando se se há-de converter ou cometer hara-kiri. E perante o poderoso “E por aqui me fico!”, o que pode acontecer? Consta que, perante a evidência do argumento adversário, há pessoas que se atiram para dentro de poços ou da janela de um qualquer quinto andar. “E por aqui me fico!”. Portugal entrou para história da retórica política. “E mais não digo!”

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