sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Vichyssoise

Há coisas que nem Marcelo Rebelo de Sousa pode dizer. Todos sabemos que ele é muito afectuoso, nada num mar de ternuras e inclinações, e que lhe foge a retórica para a divagação familiar. Aquilo que, todavia, nem ao tinhoso do belzebu lembra, lembra ao actual Presidente da República. Entusiasma-se, entusiasma-se, e lá deixa sair alguma coisa que ou está escondida no recôndito da alma ou em que ele acredita como acreditava na vichyssoise que vendeu a Paulo Portas. Pródigo tanto no ditirambo como no encómio, perante a figura da esposa do Professor Aníbal Silva, não se conteve e nomeou-a, a posteriori, madrinha dos portugueses, pelo menos durante 20 anos. Temo que, se for convidado para alguma homenagem à senhora Lurdes Rodrigues, aquela que pastoreou os professores, no tempo do senhor Sócrates, ainda a designe como a mãe dos professores portugueses, se não mesmo o seu anjo protector. Às vezes, era melhor que o Presidente em vez de abrir a boca para falar fosse para introduzir uma colher de vichyssoise.

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