sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Jerónimo de Sousa

Não estará longe o dia em que o PCP terá de substituir Jerónimo de Sousa à frente do partido. Não será um pequeno problema. É verdade que os comunistas vivem fixados na imagem do Dr. Álvaro Cunhal, a quem, talvez para sublinhar uma proximidade que nunca existiu, chamam apenas Álvaro. No entanto, Cunhal que nem dos comunistas foi próximo, pelas suas características psicológicas, pelo seu ar aristocrático e distante, pela sua preparação política e pela sua inteligência penetrante, sempre foi um estranho – por vezes, um inimigo – para a generalidade dos portugueses não comunistas. Jerónimo de Sousa, não ostentando as capacidades de Cunhal, conseguiu estabelecer uma relação normal do Partido Comunista com o país. A afabilidade, a honestidade e a humildade do actual secretário geral dos comunistas foram essenciais não apenas para que o PCP fosse olhado de forma mais benevolente pelos portugueses não comunistas, como se tornasse um partido com real influência na governação do país. Todos sabemos que o fim da URSS contribuiu, e muito, para isso, mas a figura de Jerónimo de Sousa foi fulcral para uma subtil, mas decisiva, mudança da imagem dos comunistas portugueses. Substituir o antigo operário não vai ser fácil.

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