sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Perdeu o faro

Será que António Costa perdeu o faro político que parecia ser a sua imagem de marca? Será que não passa de um adolescente que se entusiasma e diz qualquer coisa movido pela emoção? Não saberá ele, que anda há tanto tempo nisto, que qualquer palavra - ou até qualquer murmúrio - que saia da sua boca vai ser escrutinada até à exaustão? Por muitas razões que a economia lhe dê para rir e celebrar (até a Fitch o veio ajudar), ele, depois da devastação dos incêndios, terá de medir cada palavra que diz, cada expressão facial que apresenta. Um político não tem estados de alma. Um político que luta para manter o poder apresenta os estados de alma que os eleitores esperam dele. As coisas são o que são. Num ano em que morreram mais de cem pessoas em incêndios, devido aos quais o governo está sob forte escrutínio público, nem ao diabo lembraria vir dizer que 2017 foi um ano saboroso para o país. António Costa parece que ainda não percebeu uma coisa essencial para se manter no poder. Ele e o seu governo, em público, ou se mostram de luto, ou põem cara de enterro, ou fazem-se de mortos.

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